terça-feira, 2 de novembro de 2010

Estudo de caso...

No TCC, faço o estudo de dois casos... Aqui apresento o caso1
 Caso 1







O aluno A que mais era rejeitado pelos colegas em função de seu comportamento, não dialogava, estava sempre pronto para o embate com a força física estava agora mais calmo, estava disposto trilhar novos caminhos, estava em busca de novas conquistas. Queria fazer as atividades e solicitou à professora que lhe fornecesse as normas para freqüentar o Laboratório de Aprendizagem. A professora perguntou o motivo desta solicitação, visto que estava surpreendida, pois o aluno não queria nem vir para a escola e agora estava solicitando o LA. O menino argumentou dizendo que ele queria aprender a ler no turno da manhã para poder freqüentar a sala de informática com os colegas da turma. A professora argumentou dizendo que ele estava assim mesmo indo ao Laboratório de Informática mesmo sem saber ler. Ele replicou dizendo que não era a mesma coisa, assim ele poderia ficar mais independente dos colegas. A professora diante de tanto interesse e entusiasmo não exitou em fazer o encaminhamento no mesmo instante. Encaminhou o chamamento da mãe e contatou o serviço de Orientação Educacional a fim de um diálogo mais atento para fazer com que o aluno desse sua palavra de honra e comprometimento com os novos desafios assumidos.


Junto das propostas formais com o aluno a professora aplicou uma técnica para reflexão sobre a valorização da cooperação entre os alunos. A técnica reflexiva entre os alunos a qual consiste em os alunos em círculo passarem um novelo de lã o qual vai sendo desenrolado. Ao passar o novelo de lã para o colega o aluno deve apontar característica do colega e dizer o motivo pelo qual está entregando o novelo de lã a este. Após os alunos fazerem o desenrolar do novelo fazendo uma teia, devem então fazer o retorno desta lã ao novelo. Os alunos após esta atividade, que foi feita na rua por motivo de maior espaço físico, os alunos retornaram para a sala de aula para conversarem sobre como conseguiram desfazer a teia. Eles apontaram que a colaboração dos colegas que haviam recebido o novelo foi importante e que somente assim conseguiram retornar a lã ao novelo. Os alunos foram unânimes em dizer que ficavam torcendo para que fosse passado o novelo para si. Fizeram comparações entre o andamento das atividades com a colaboração dos colegas entre si e em especial com a participação efetiva dos alunos que eram pouco participativos, bem como da colaboração dos familiares para o sucesso dos alunos e das aulas. Falaram sobre o efetivo acompanhamento dos familiares, pois eles não são sozinhos na escola. Portanto, nesta atividade relatada, os alunos colocaram-se no lugar do outro, quando agiram colaborativamente para o desenvolvimento da atividade e o sucesso desta. Este comportamento que segundo Piaget (1994 apud REAL, 2007 p.5), é resultado da descentração do pensamento onde o indivíduo age colaborativamente tendo como premissa sua igualdade com o outro e percebe neste uma possibilidade social de troca. Vale dizer aqui que isto só acontece quando o indivíduo é capaz de fazer a diferenciação do outro e através da descentração do pensamento, no qual vê não somente a si e passa a ver o outro e colocar-se no lugar do outro. Isto só acontece com a construção do pensamento, visto que não é desde o início que o indivíduo tem esta concepção.


A escola disponibilizava quatro horas semanais distribuídos em dois dias para cada turma da escola no Laboratório de Informática. Quando a professora fez o comentário de qual era o horário disponível, o aluno A não se conteve em dizer que era muito pouco para o que ele queria fazer no computador.


“_A diretora pensa que em dois dias podemos fazer alguma coisa! _Quero falar com ela agora mesmo!”


A professora questionando os demais do grupo perguntando o que achavam quanto a sugestão do colega em aumentar o tempo de atividades no Laboratório de Informática. Outros alunos manifestaram-se:


“_ Profª., Todos vão receber a mesma quantia de horas, se a diretora der um horário maior para nós alguma turma vai ficar sem nenhum horário. Então tem que ficar assim”.


Outro aluno argumenta: “_Todas as turmas da escola têm o mesmo direito, se fosse a nossa turma ficar sem ninguém ia gostar”.


O aluno A pensa e diz: “_ Eu agora entendi, acho que deve ser assim mesmo, todos nós vamos trabalhar no Laboratório de Informática o mesmo tempo”.


Entende-se que neste momento os alunos ao colocarem-se no lugar do outro, estão possibilitando uma situação de cooperação, isto é estão - operando com -, assim apresentando autonomia. E portanto através da cooperação construindo limites, a partir do diálogo na relação social que propiciou o Laboratório de Informática. Conforme Piaget (1973b.p.35): “Cada relação social, constitui, por conseguinte, uma totalidade mesma, produtora de características novas e transformando o individual em sua estrutura mental”.


Real (1998, p.30), também afirma: “A potencialidade produtiva das relações sociais tem sua máxima expressão nas relações de cooperação, ou seja, na capacidade adquirida pelas ações terem se tornado reversíveis, nas quais o sujeito tem a possibilidade de agir cooperativamente [...]”. Sendo assim o indivíduo está vendo o colega como um tão igual a si, vendo a possibilidade de troca, tendo um posicionamento de empatia com o outro.


Sendo que já percorrera duas semanas do estágio curricular, os alunos estavam indo para o Laboratório de Informática pela segunda vez. O aluno A disse sentou-se rapidamente à frente de um monitor e já foi dizendo que aquele era o dele.


“_ Quero trabalhar neste aqui. É nele que vou pesquisar sobre os animais, não quero ninguém comigo.”


A estagiária esclareceu que por nós sermos muitos teríamos que dividimos os monitores entre três ou quatro alunos, cada um tendo a vez de usar o teclado, enquanto os demais deveriam auxiliar.


O aluno A argumenta indignado, não aceitando a sua realidade de não saber ler ““.


“_Quando eu souber escrever sozinho não vou precisar de ninguém do meu lado, ainda mais estes aí que parece que sabem só um pouquinho mais que eu”.


O aluno nesta mesma semana deu início ao trabalho no Laboratório de Aprendizagem, onde funciona o projeto GEMPA para correção de fluxo e lá viu que também tem um computador. Logo indagou a professora se ele iria usar o computador para aprender a ler, pois ele pediu para a professora dele que queria freqüentar o Laboratório de Informática para aprender a ler, pois queria aprender a ler para poder Freqüentar Laboratório e Fazer o Projeto de Aprendizagem sobre os animais com os colegas que já sabem ler.


“_ Tem gente que lá na minha turma que escreve o que quer pesquisar na Internet e aparece tudo sobre aquilo”.


A laboratorista esclareceu que teria alguns momentos que ele poderia usar o computador para escrever e que também poderia usar o computador para aprender a ler.


Trabalhando na quarta semana de estágio os alunos precisavam decidir sobre quais animais domésticos o grupo iria escolher para fazer o seu Projeto de Aprendizagem, qual nome dariam ao PA. Então foi que o grupo do aluno A sentaram-se a frente do monitor e este disse que ele é que iria escolher o nome do PA para estudarem e os colegas em coro gritaram:


“_Não é só um que escolhe o nome do PA, é o grupo que escolhe, nós vamos votar, a profª. disse que o mais votado é que ganha e que é aquele que vais ser estudado.”


Os colegas ao manifestarem-se com a proposta de votação, contrários ao aluno A, que queria somente ele escolher o nome do PA, o aluno A ficou quieto por um instante e disse:


“_Mas eu também vou votar pra escolher o nome projeto, sei que vai ganhar o que tiver mais votos.”


Estava acontecendo aí o que Maturana (1998b, p.23) afirma: “O amor é a emoção que constitui o domínio de condutas em que se dá a operacionalidade da aceitação do outro como legítimo outro na convivência”, assim os alunos estavam em grupo e com seu posicionamento social em cooperação colocando-se no lugar do outro com o argumento de que tem que ser acatado o que é de consenso da maioria, pois do contrário não podemos trabalhar em grupo.


A utilização da informática favoreceu as relações interpessoais, a cooperação e a construção dos limites. Favoreceu as aprendizagens mediante a construção dos PAs. Pois, tiveram troca de informações, ideias sugestões, e fez com que os alunos diante da diversidade de pensamento tomassem posicionamento respeitoso diante do colega. A informática no plano social e fora da sla de aula tradicional, favoreceu a cooperação e a construção de valores, visto que nessa troca de saberes e planos intelectuais cada indivíduo fez sua construção se ajustando nas interações.

2 comentários:

Luiz N.Vieira disse...

Suas postagens estão sendo bastante significava! PArabéns pelo ambiente.
Abraços
Luiz
http://culturanateia.blogspot.com

Anice - Tutora PEAD disse...

Olá, Cristina:

Aqui trazes uma parte do teu TCC para acompanharmos juntamente com um aporte teórico! A postagem ficou bem interessante. Mas fique sempre atenta ao objetivo do blog neste semestre, ok? Que é linkar algo já visto nas interdisciplinas com teu TCC, certo? Ou este trecho do Piaget vcs viram em algum momento no curso? Se sim, por favor, mencionar.

Grande abraço, Anice.